fala o que falta
mas não fala o que quer
nenhum nome te cabe
na boca
e boca nenhuma te cabe
no peito
espera a casa se erguer
de próprios pés
em impulso mágico
convulsão de movimento
construção de cima pra baixo
chuva de concreto, vigas no meu céu,
paredes fechadas, janelas por furar.
a mesa de jantar tá cheia, meu amor,
eu tenho um vaso de flores e uma bomba-relógio,
um delírio morno e um pássaro que voa
pra cima de mim.
e da varanda eu vejo esses temporais,
vazantes pelo meu rio
numa água que não escoa
visgo doce que gruda na garganta e seca
a voz e prende os pés.
não adianta olhar pra cima,
grudado ao chão do chão não sai.
fala que falta
mas não chama o que quer
quando você olhar pra frente
eu vou chegar
aqui.
A língua buscada
intimidade de flor se abrindo
pro Sol
quando ele vem.
que nem onda no mar,
‘both of us beneath our love
both of us above.’
***
the system´s strong.
eu sonho lares sem caber
eu sonho mares sem nadar
na frente fortaleza e aço.
em frente, fortaleza e passo.
’[…] era a tristeza dos resolutos, a quem dói de antemão um ato pela mortificação que há de trazer a outros, e que, não obstante, juram a si mesmos praticá-lo, e praticam.’
[Machado de Assis, ‘D. Benedita’]