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  1. “comprava e vendia as felicidades e as tristezas com essa simplicidade de dizer que sim.”
[valter hugo mãe]


(foto: bel baroni <3)

    “comprava e vendia as felicidades e as tristezas com essa simplicidade de dizer que sim.”

    [valter hugo mãe]

    (foto: bel baroni <3)

     
     
  2. L’obscurité des eaux
Escucho resonar el agua que cae en mi sueño. Las palabras caen como el agua yo caigo. Dibujo en mis ojos la forma de mis ojos, nado en mis aguas, me digo mis silencios. Toda la noche espero que mi lenguaje logre configurarme. Y pienso en el viento que viene a mí, permanece en mí. Toda la noche he caminado bajo la lluvia desconocida. A mí me han dado un silencio pleno de formas y visiones (dices). Y corres desolada como el único pájaro en el viento.

[Alejandra Pizarnik]


[ilustração: Julien Pacaud]

    L’obscurité des eaux

    Escucho resonar el agua que cae en mi sueño. Las palabras caen como el agua yo caigo. Dibujo en mis ojos la forma de mis ojos, nado en mis aguas, me digo mis silencios. Toda la noche espero que mi lenguaje logre configurarme. Y pienso en el viento que viene a mí, permanece en mí. Toda la noche he caminado bajo la lluvia desconocida. A mí me han dado un silencio pleno de formas y visiones (dices). Y corres desolada como el único pájaro en el viento.

    [Alejandra Pizarnik]

    [ilustração: Julien Pacaud]

     
     
  3. sexta 13.

    sexta 13.

    (Source: lindolagodoamor)

     
     
  4. get over it

    get over it

     
     
  5. (Source: thefuuuucomics)

     
     
  6. Quinhentos anos de solidão

    Fim de século, fim de milênio, festa de aniversário. O mundo do nosso tempo – mundo transformado em mercado, tempo do homem reduzido a mercadoria – celebrou seus quinhentos anos de idade. No dia 12 de outubro de 1492 havia nascido esta realidade que hoje vivemos em escala universal: uma ordem natural inimiga da natureza, e uma sociedade humana que chama de “humanidade” 20% da humanidade.

    Em sua pastoral recente, os bispos da Igreja Católica da Guatemala pediram perdão ao povo maia e prestaram homenagem à religião indígena que via na natureza uma manifestação de Deus. O Vaticano, porém, festejou os quinhentos anos da chegada da fé ao continente americano. Não existia fé na América, antes de Colombo? A conquista impôs sua fé como única verdade possível, e assim caluniou o Deus dos cristãos, atribuindo a eles a ordem de invasão contra as terras infiéis. Naqueles tempos, e muito profeticamente, começou a ser chamado de liberdade de comunicação o direito do invasor, dono da voz, diante do invadido mudo.

    Os índios foram condenados por serem índios, ou por continuar sendo. Os bárbaros que não se deixavam civilizar mereciam a escravidão. Quantos arderam na fogueira, pelo delito de crer que toda terra é sagrada? Adorando a natureza, os pagãos praticavam a idolatria e ofendiam Deus. Ofendiam Deus, ou na verdade ofendiam o nascente capitalismo? Daquele momento vem a identificação da propriedade privada com a liberdade: a liberdade de espremer o Mundo como fonte de lucro e objeto de consumo. De Carlos V à ditadura eletrônica: cinco séculos mais tarde, o planeta é terra arrasada.

    A cor da pele não teve a menor importância nas civilizações anteriores. A Europa do Renascimento fundou o racismo. E cinco séculos mais tarde, a Europa não consegue se curar dessa doença. Missão de evangelização, dever de civilização, horror à diversificação, negação da realidade: o racismo era e é um eficaz salvo-conduto para fugir da história. Os ganhadores nasceram para ganhar, os perdedores nasceram para perder. Se o destino está nos genes, a riqueza dos ricos é inocente de cinco séculos de crime e saque, e a pobreza dos pobres não é resultado da história, e sim maldição da biologia. Se os ganhadores não têm de que se arrepender, os perdedores não têm de que se queixar.

    Fim de século, fim de milênio, tempo de desprezo. Poucos proprietários, muitas possessões; poucos opinadores, muitos opinados; poucos consumidores, muitos consumidos; poucos desenvolvidos, muitos envolvidos. Os poucos são cada vez menos. Os muitos, cada vez mais: dentro de cada país, e no mapa internacional. Ao longo deste século, a brecha que separa os países pobres dos países ricos multiplicou-se por cinco. O mundo de nossos dias é a obra-prima de uma escola artística que poderíamos chamar de realismo capitalista. Em sua infinita generosidade, o sistema outorga a todos nós a liberdade de aceitá-lo ou aceitá-lo, mas 80% da humanidade estão proibidos de entrar na sociedade de consumo. Pode vê-la na televisão, claro: não consome coisas, consome fantasias de consumo.

    O mundo parece, agora, qualquer das grandes cidades latino-americanas: imensos subúrbios acossam as fortalezas dos bairros de luxo. Não restam nem mesmo escombros do fugaz muro de Berlim, mas está cada dia mais alto e mais largo o muro mundial que há cinco séculos separa os que têm dos que querem ter. Quantos caíram, e caem todos os dias, querendo saltá-lo? Ninguém os contou, ninguém os conta.

    Fim de século, fim de milênio, tempo de medo. O Norte sente pânico de que o Sul leve a sério as promessas de sua publicidade, tal como o Leste acreditou no convite ao Paraíso.Um sonho impossível: se os 80% da humanidade pudessem consumir com a voracidade dos 20%, nosso pobre planeta, já moribundo, morreria. Se o esbanjamento não fosse um privilégio, não poderia existir. A ordem internacional, que prega a justiça, baseia-se na injustiça e dela depende.

    Não por acaso a indústria do medo oferece os negócios mais lucrativos do mundo atual: a venda de armas e o tráfico de drogas. As armas, produto do medo de morrer; as drogas, produto do medo de viver.

    Tempo de medo: graves buracos na camada de ozônio, e buracos ainda mais graves na alma.

    Há cinco séculos nasceu este sistema, que universalizou o intercâmbio desigual e colocou um preço no planeta e no gênero humano. Desde então, converte em fome ou dinheiro tudo que toca. Para viver, para sobreviver, o sistema necessita a organização desigual do mundo da mesma forma que os pulmões necessitam ar.

    Hoje em dia, a fraqueza dos fracos, pessoas fracas, países fracos, é motivo de deboche ou pena. A solidariedade passou de moda. Mas até que ponto é forte a fortaleza dos fortes? O poder, filho da violação, está cheio de violência, está cheio de medo. Musculoso corpo assustado com a sua própria sombra, corpo sem alma, sociedade desalmada. Corpo cego de si, perdido de si: proprietário de tudo, já não é dono de si. Já não pode se permitir outra paixão além da paixão do consumo. Sacrificou o direito à vida, sua própria vida, nos altares do direito da propriedade; e já começou a se consumir.

    Em outubro de 1992, enquanto o poder cumpria suas obscenas cerimônias de auto-elogio, celebrando o holocausto dos índios e dos negros, muitas outras celebrações, de signo oposto, ocorreram no mundo inteiro: elas celebraram a longa resistência e a teimosa dignidade dos vencidos, e denunciaram que a conquista continua. Uma dessas muitas foi o tribunal que a Fundação Basso convocou em Pádua para discutir o direito internacional à luz dos quinhentos anos da conquista da América. O direito internacional, filho do direito da conquista, está marcado na própria fronte por aquilo que François Rigaux chama de seu pecado original. Nos acostumaram a esquecer o que merece memória e a recordar o que merece esquecimento; mas homens e mulheres do Sul e do Norte se reuniram em Pádua a partir da certeza de que o mundo não é este mundo, mutilada plenitude, humilhada dignidade, nem o direito é este direito, álibi de um sistema que jamais diz o que faz nem faz o que diz.

    Na viagem para a Itália, passei pela Andaluzia. E lá escutei uma quadra de canto flamengo, o cante jondo, canto cigano, que em três brevíssimos versos contesta, do modo mais certeiro, a civilização que confunde ser com ter. A quadrinha ficou em mim, ainda canta em mim:

    Tenho as mãos vazias

    de tanto dar sem ter,

    mas as mãos são minhas.


    [Eduardo Galeano, dezembro de 1992]

    Para Isabel.

     
     
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  9. marilyn monwhale

    marilyn monwhale

     
     
  10. world map of social networks

An animated map of the dominant social networks from around the world since 2009.
(via ilovecharts)

    world map of social networks

    An animated map of the dominant social networks from around the world since 2009.

    (via ilovecharts)

    (Source: world-shaker)